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Após 15 anos de tentativas!


É, meus amiguinhos, após 15 ANOS DE FRUSTRADAS TENTATIVAS, eis que tenho o prazer de comunicar que ZEREI o famigerado Ninja Gaiden 1 e queria compartilhar essa sensação com vocês…

Por Harlley “Persona” Guimarães

Tarde de sábado, véspera de feriado prolongado (só volto ao trabalho na 5ª feira) e estava eu entretido com meu Mega Drive, tentando detonar o pequeno Shadow of the Beast 2. Após uns 2 anos de tentativas, só faltava um item no meu inventário para que fosse possível derrotar o maldito Zelek. Agora, ciente do verdeiro caminho, segui de encontro a meu destino. Missão cumprida, tarde feliz, a humanidade salva outra vez!! Os dois Shadow of the Beast não são mais páreo for me!!

Mas eu não estava satisfeito. Queria mais! Foi quando tive a idéia de assistir pela MILIONÉSIMA VEZ, o vídeo do time attack de um daqueles que têm sido um dos meus maiores algozes nestes últimos 15 anos: o nosso velho conhecido cartucho “Falcon Soft” Ninja Gaiden 1. Afastei o Mega Drive pra lá, para que pudesse fazer as conexões necessárias para fazer funcionar o sistema:

MÁQUINA: Turbo Game da CCE
CARTUCHO: Ninja Gaiden da Falcon Soft
CONTROLE: original de Top Game (sim! aquele retangular…)
TV: Toshiba 14″
LOCAL: meu quarto
TEMPO JOGADO: ~4 horas

Contemplo pela zilhonésima vez a abertura (que babo até hoje), e penso: “desta vez você não me escapa, Jaquio!” E tal como diria Anakin Skywalker “Minhas habilidades duplicaram desde nosso último encontro”. De fato, ao assistir o detonado, pude colher muitas informações e macetes de certos lugares mais hostis do game. Talvez isso tenha me motivado sobremaneira.

Começa a peleja: as fases vão passando bem rápido, fruto da habilidade acumulada durante milênios, pois eu nunca passava da fase 3 ou 4. O poder de rodopiar (doravante chamado “spin”, para diminuir meu trabalho de digitar) se mostra a arma mais eficiente do game, exatamente como mostrado no time attack. Assim, procurei decorar as partes onde tinha a tal arma, bem como os conteiners onde não deveria atacar, para não perdê-la. Para minha surpresa, chego na fase 5 com apenas um continue, e detono o famigerado Malth com um spin e meio!! A sensação de vê-lo engolir suas arrogantes palavras não tem explicação…

Mas, a festa acabava aí. Eu sabia que, dali para frente, seria um pesadelo. Dezenas de imagens voltaram a dançar na minha cabeça, sempre celebrando minhas derrotas durante esta última década. Mesmo assim, decido continuar, determinado cada vez mais a dar prosseguimento a minha tarde de detonação. O primeiro estágio é mortal, ainda no local da luta contra Malth. Mas o spin prova mais uma vez ser A ARMA!! Dentro da fortaleza, todos os inimigos são cruéis, mas o destaque vai para a tal águia (ou coisa que a valha): dispensando comentários, todos sabemos o quão pentelhas essas aves são. Os ninjas voadores também se mostram extremamente sádicos, e parecem dar risadas ao ver Ryu Hayabusa caindo pelos abismos do Castelo do Mal.

Primeiro continue, segundo, terceiro…. sabemos bem o que é isso. Parada estratégica para evitar que eu arremesse todo o sistema pela janela (moro no terceiro andar). Volto e a deprimente tela preta de “game over” ainda está lá, como que zombando da minha aparência já cadavérica. Pensam que só me restava a desistência e o ostracismo? Ledo engano!! Pego o controle com mais firmeza ainda, e começo todo o processo de novo. Chego no pai do Ryu transformado em demônio. Mas, junto comigo, chegava lá o poder de spin, e bastou UMA GIRADA para a estátua ir pelos ares e papai ser salvo, apenas para receber o tiro mortal de Jaquio, e desfalecer em “meus” braços. O maldito me aguardava….

Derrota. Cenário do Malth. Será que o cara que bolou o jogo fez isso de propósito? Será que ele sequer tem capacidade para vencer esta montanha? Voltar quase à metade do jogo para poder enfrentar os últimos mestres? E se esse insano tivesse tido a brilhante idéia de “ressuscitar” os mestres, de modo a termos que enfrentá-los todos em seqüência? Ainda bem que puseram a camisa-de-força no fucker a tempo…

Mas aqui, uma esperança: já que eu tinha chegado com o spin no pai do Ryu, seria (teoricamente) fácil chegar de novo! Esforço redobrado, cada milímetro do caminho decorado, macetes inesperados, correria por certas partes e, enfim, Jaquio. Uma rodopiada, 2/3 da energia; mais uma; explosão; gesto obceno para a tela e um imperativo “vá para o car$%#ö” dão o tom do momento!!

Claro, graças ao time attack, eu sabia que mais pedreira vinha pela frente. Resultado: cenário do Malth… Mad
Mas, desta vez, NINGUÉM era páreo para as novas habilidades, minhas e de Ryu, e passamos pelos inimigos como um violento tornado por entre as árvores. Só lhes resta rezar para o finado Jaquio…

E eis que, finalmente, estamos nós quatro, frente a frente: Ryu Hayabusa, o monstro, eu e, claro, o pequeno SPIN!! E com uma carga para umas 6 rodadas! Mas, pra quê? Bastaram 2…

WHAAHHAHAAHAHAHAHAHAA!!!!! E AGORA, MALDITO? QUINZE ANOS DE TENTATIVAS ACABAM DE IR PARA O LIMBO NEGRO DOS JOGADORES DERROTADOS!!! Vejo o final (talvez o melhor de toda série, e muito bem pensado, congratulando qualquer jogador habilidoso o suficiente para chegar aqui mantendo a sanidade!) Vejo o castelo desabando, e não paro de gritar, o que faz minha mãe vir ver e perguntar se eu estou sentindo alguma coisa. A resposta? SIIIIMM! Eu estou me sentindo muito FELIZ, WAHAHAHAHAH%OW$E&RF!!!! Minha mãe se afasta, resignada. O que ela estaria pensando…?

A sensação de detonar duas pedreiras no mesmo dia é indescritível. Tenho certeza que vocês também já passaram por isso. É uma sensação única, orgasmática, transcendental. Você ver que mais esta obra-prima acaba de entrar para sua velha listinha (em seu caderno de 8ª série) de games trucidados. Agora me sinto um novo homem: corajoso, decidido, capaz das mais absurdas façanhas. Mas eu não me engano: novos perigos surgem a todo momento, e já sinto uma nova sombra maléfica se aproximando (de fato, o tempo mudou para um tom cinzento, que ameaça uma chuva): a volta de Jaquio em Ninja Gaiden 3, que ainda insiste em resistir à detonação. Aguardo ansioso o momento de nosso confronto final…

Claro que esse texto enorme é uma zueira de um cara que quer muito compartilhar esta experiência com os amigos do NES Archive. Detonar este que é um dos paladinos do nosso querido Nintendinho é um prazer indescritível. E aos colegas que ainda não alcançaram a graça de erradicar o mal causado por Jaquio e as duas estátuas, só um apelo: não desistam jamais! Explorem cada milímetro do jogo, decorem cada movimento, mas nunca percam as esperanças. Mesmo que você gaste 100 continues, no 101 você consegue. E joguem no console: emulador é legal mas nada se compara à “real thing”. Agora, me sinto revigorado, por dois motivos:

1º: cheguei à conclusão de que estou no ápice de minhas habilidades, deixando longe meus tempos infantes.

2º: sinto-me preparado para encarar o estranho desafio de Ninja Gaiden 3, e um cart que já tenho faz um mês mas ainda nem pus a mão: um tal de Battletoads. Conhecem?!

Sim, Ninja Gaiden 1… Amigos, orai por este cartucho pequenino!!
Um abraço!

O famigerado Turbo Game da CCE
O famigerado Turbo Game da CCE

Publicado originalmente por Persona, em 30/10/2005, no Fórum NES Archive.
(Revisado por 6Dedos em 01/11/2005)



Adicionado à Base de Dados em Sábado, 22 de Março de 2008 por João Luis