Colaborado por Mob, em 07/03/06
Local: São Paulo, Extinta loja Sears do shopping Morumbi.
Data: Algum final de tarde de 6a feira no final da década de 80 (provavelmente 89).
Reconstituição: Estava eu indo procurar novas fitas de Atari juntamente com meu irmão. Eu devia ter algo em torno de 7 ou 8 anos de idade. De repente me deparo com uma espécie de “feirão” de demonstração de games. Entrei e comecei a acompanhar clássicos como River Raid, Enduro, Space Invaders, etc. No próximo stand, algo me chamou muito atenção. Aquela tela colorida, cheia de movimentos, aquelas musicas e sons perfeitos. O que era aquilo?
Eu jamais havia visto algo tão real em toda a minha vida. Cheguei mais perto e pude ver que eram os dois esquilos Tico e Teco que atiravam maçãs em seus inimigos. Haviam abelhas, cachorros mecanicos, caixotes, cactos, torneiras, tudo! Simplesmente fantástico. Fiquei com aquela musica na cabeça, e aqueles gráficos me fascinaram. Foi paixão a primeira vista. Mas o que seria aquilo? Eis que ouço a voz de minha mãe chamando à mim e a meu irmão. Obviamente não esboçamos reação, continuamos ali parados admirando aqueles gráficos fantásticos, reais. Minha mãe nos puxou e nos levou embora.
Na manhã seguinte, acordei bem cedo e fiquei esperando meus pais acordarem. Quando acordaram fiquei enchendo o saco do meu pai para ele me levar novamente no shopping para que eu visse aquilo. SaÃmos para almoçar e fomos ao shopping novamente. Meu pai me levou novamente à Sears para que eu admirasse aquela obra prima. Fiquei ali, paralizado. Assistindo à dezenas de pessoas se amontoando e procurando um espaço para que pudessem sentir o vÃdeo game bem de perto. Outros jogos estavam em funcionamento. Acompanhei o desenho animado recém criado pelos gringos, agora em uma tela de vÃdeo game. Era aquele garoto de cabelo arrepiado, amarelo, com um skate e uma lata de spray na mão.
Como se chamava mesmo? Ah sim, SIMPSONS… Sim, ele pixava as coisas, andava de skate, passava trotes. Maravilhado, comecei a pedir desesperadamente ao meu pai para que ele me desse um daqueles. A resposta foi óbvia: “Tire notas boas que vc ganhará”. A tarefa não seria difÃcil para um aluno da 2a série primária se a expressão “notas boas” não subentendessem apenas as notas 9 e 10. Me esforcei muito. Consegui fechar minhas médias com 100% de aproveitamento e adivinhem? 2 meses depois, no Natal, eis que abro juntamente com meu irmão aquela caixa enorme e o que vejo? Um Dynavision 3 dual slot com o fantástico jogo KARATEKA.
Depois desse presente de natal, minha vida nunca mais foi a mesma. Nunca mais abandonei esta minha paixão. Foram madrugadas inteiras em casa de amigos, foram manhãs de domingo em grupo, foram atrasos para a escola, terminando jogos, foram “viagens” de onibus, metrô, trem para ir em distantes locadoras para comprar fitas, enfim, sempre que ligo o console, vivo novamente minha infância.
MOB
Adicionado à Base de Dados em Quarta-feira, 19 de Março de 2008 por Mother Brain


