Talvez a raiz do problema do jogo não ter seu lugar no panteão dos monstros sagrados do NES esteja justamente no seu nome. Fica claro ao analisar o jogo, que o seu título é puramente uma jogada de marketing…
Por Antonio “JackieChan” Junior
Ficha Técnica
Título: Jackie Chan’s Action Kung Fu
Console: Famicom/NES
Fabricante: Hudson Soft
Ano: 1990
Categoria: Ação
Número de Jogadores: 1
Autor do review: Antonio “JackieChan” Junior
Introdução
Era junho de 1991, tinha 8 anos. Já conhecia alguns jogos do Nes ao longo dos quase dois anos em que me entretinha no meu clone brasileiro Phanton System. Cada sábado era uma alegria; meu pai me levava na locadora para escolher o game que daria sossego a ele e minha mãe até segunda-feira. Até então, eu possuía alguns poucos jogos além de Ghostbusters e Crime Busters que vieram com o aparelho. Portanto era sagrado que cada locação deveria ser um jogo diferente, isso até levar Jackie Chan para casa… Fiquei louco! A jogabilidade e os gráficos das fases se mostravam claramente superiores a tudo que já havia jogado e não parei até “zerar” o jogo alguns, hã, er… meses depois (qualé gente? Eu tinha apenas 8 anos e só jogava no final de semana ). O fato é que, ao menos pra mim, nascia um clássico do Nes que eu só reencontraria uns doze anos depois através de emulador. Curiosamente, descobri que apesar do alto nível do jogo, ele não dispõe da popularidade dos medalhões do sistema. Trata-se claramente de um jogo “obscuro”, algo que geralmente é reservado a jogos ruins e/ou de pouco apelo comercial, o que definitivamente não é o caso.

Sobre o game
Você é o lutador Jackie Chan (de acordo com o nome do game) e sua missão é resgatar a sua irmã (que eu pensava ser sua namorada) que foi raptada pelo arquiinimigo do seu mestre. O formato é ação/plataforma clássico, onde você irá passar por diversos inimigos, tais como estátuas amaldiçoadas, gigantes, tartarugas voadoras, ciclope, tigres entre outros, passando por locais repletos de lava vulcânica, gelo, montanhas, cachoeiras, nuvens etc. Ao término de cada um dos 6 estágios não selecionáveis, você terá de enfrentar o chefe da mesma. Em minha opinião, mais do que na jogabilidade, a Hudson acertou muito na elaboração de cada um dos estágios bem distintos entre si e nas dificuldades específicas de cada um, além de inimigos bem variados e com características próprias em cada ambientação.

Os gráficos são surpreendentes, pois apesar de simples, são bem elaborados e os personagens são grandes na tela, algo que evidencia a tendência da então eminente era 16 bits. Fato curioso é que existe uma versão do jogo feita pouco depois para o PCEngine de 16 bits, bem fiel ao que foi apresentado no Nes. A jogabilidade é surpreendente pela agilidade e resposta rápida aos comandos, sendo eles totalmente confiáveis. Além do chute no ar e do soco em terra, você pode disparar até 5 bolas de energia ou mesmo desferir quatro tipos de golpes coletados ao longo dos estágios através de chutes ou socos em sapos que além dos golpes muitas vezes “contém” energia vital. Os sons estão muito bem executados e de acordo com o ambiente do estágio, sendo dessa forma dos mais belos e originais da plataforma. A dificuldade é razoável, a impressão após jogar muitas vezes é que poderia ser um pouquinho mais difícil, mas nada que comprometa, é divertido, pois o ritmo é rápido e dinâmico.

É um jogo que reúne muito da cultura oriental e que é surpreendentemente original em sua concepção, ainda que algumas das inspirações não sejam tão sutis (como a nuvem voadora, e o quimono azul, fortes referências a Dragonball).

Jogo original eclipsado por um título
Talvez a raiz do problema do jogo não ter seu lugar no panteão dos monstros sagrados do Nes esteja justamente no seu nome. Fica claro ao analisar o jogo, que o seu título é puramente uma jogada de marketing, pois os desenvolvedores optaram por criar todo um universo original sem nenhuma ligação com o ator ou algum de seus filmes dentro do contexto. O que num primeiro momento provavelmente foi um chamariz para os gamers da época (ligar o jogo ao ator), mostrou-se a meu ver como um tiro no pé da Hudson, pois o conteúdo original que se vê no jogo poderia com algum outro nome ter se transformado numa franquia muito rentável.Claro que isso é apenas um ponto de vista, existem muitos outros jogos bacanas no NES que não são tão populares quanto um Ninja Gaiden, Zelda, Mario, Double Dragon etc.
Conclusão
Caso não conheça, dê uma chance a esse game. Ele é muito mais do que “um jogo do Jackie Chan”.
Adicionado à Base de Dados em Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009 por Trevor Belmont


