Escrito por tonecv em 27/02/07
Capítulo 1
Olá pessoal,
Bom, tudo começou quando eu tinha uns 5 anos de idade, quando vi pela primeira vez um Tele-Jogo, na casa de um primo meu, achei muito estranho como era possivel um “eletro-doméstico” fazer “mágica” numa televisão, fiquei muito pensativo e ao mesmo tempo doido com aquele negocio, pois era diferente de tudo que eu conhecia, pois você tinha que ultilizar o reflexo e precisão do controle giratório para que, a exemplo do jogo paredão, você não deixar a bola (quadrado) passar pela sua barreira. É até engraçado hoje em dia a gente pensar onde se via graça naquilo, mas, naquela época, era algo de tecnologia de ponta, e pouquíssimas pessoas tinham aquele “eletro-doméstico” em casa, pois era artigo de luxo, e caro, quase no preço de uma TV preto-e-branco de 14″…
Dai que começei e me empolgar com aquilo, para o ar de minha graça e de todos, no final da decada de 70, chegou o Atari 2600 com carcaça de madeira (sic), onde era um loucura, com gráficos e som bem melhores que o Tele-Jogo, e com isso, como era uma coisa cara na época de lançamento, meus tios e meu avô compraram um Atari em conjunto, e todo mundo ia jogar o danado lá, era Pitfall, River Raid, Smurfs, Pac-Man… Era muito fera e muito emocionante, e o interessante disso tudo é que cada dia chegava um cartucho novo! Rsrsrs.
Um Belo dia, tava eu indo visitar meus avós, já com meus 6 ou 7 anos, daí tava o diabo de meu primo de novo com algo totalmente novo e diferente de tudo que eu tinha visto (novamente… rsrs), um microcomputador TK85, com fita K7 e memória expandida para 128kb (coisa pra dedéu naquele tempo!), eu fiquei atônico com aquilo, onde ele estava compilando um jogo, daí que quando eu fiquei sabendo que meu primo tava “fazendo um jogo”, fiquei doido com aquilo, apesar de que eu não estava entendo absolutamente nada, mas adorando e esperando afoito com o final da programação.
Depois de muita espera, uns 6 copos de coca-cola, 2 misto-quentes, e um bocado de pum (rs), meu primo disse: agora acabou, vou apertar esta tecla (enter) e o jogo começará! Daí aquele simples movimento de apertar uma tecla na minha vida, mudou completamente minha forma de pensar, mas dai para aquela epoca uma coisa existia ou ERRO DE PROCESSO ! Meu primo ficou prabo, nada de jogo na tela, so os palavrões dele no ar, eu eu perguntando: cadê o jogo? Ele: PQP, mer… de jogo, o que, você me fez errar!! E eu: EU? … Rsrs.
Capítulo 2
Bom, aquilo tudo era muito legal e logo que pude, ao meu aniversário de 7 anos, torrei o saco de meu pai pra compra o meu Atari, em 28 setembro, ele veio com um Milmar 5200, o de plástico, com 2 cartuchos de 4 jogos cada, fiquei muito feliz e realizado, joguei e quebrei muito controles (hahaha), principalmente com Atletic ou Decathlon, mas encucado ainda com aquela história de programar em computadores, mas muito complicado para mim naquela época. Bom, meu pai teve uma promoção no Banco do Brasil e foi mandado para o Rio Grande do Norte - Natal, onde minha história começou a ficar legal!!!
Já na casa nova, com meu Atari debaixo do braço, colégio novo e vida nova, comecei a conhecer a área, os colegas de rua e de escola, vivia muito feliz, até que em um dia, um coleguinha meu me chamou pra jogar na casa dele, era um outro Atari, cinza, com os jogos um pouco melhores e uns sons diferentes e tudo mais, era o Atari 7800…
Daí, esta casa era alugada, a grana entrou com o tempo, casa própria à vista, mudamos para outra casa muito bonita e ampla, em um bairro tão tranquilo que o muro de nossa casa tinha 1,5m de altura… Conheci a galerinha do bairro e tudo mais, um belo dia, já bem cansado do meu Atari, um colega chamou pra bater uma bola no videogame dele.
Ele: “Tem!? E que jogos mais você tem?”
Eu falei: “Vários, e tenho muito cartuchos de vários jogos em 1!”
Ele: “Você tem um Atari?”
Eu: “Sim.”
Ele: “Hahaha!”
Eu: “?????…”
Capítulo 3
Fomos lá na casa dele e me deparei com outra realidade…
Fomos lá pra casa do coleguinha, chegando lá, vi um videogame preto, com ângulos e pontas, meio estranho, com encaixes em cima, totalmente diferente de tudo que eu já tinha visto de novo, era um Master System I, com pistola e óculos 3D, vários jogos e tudo mais que tinha direito!
Eu falei: puts, quê isso?
Ele: pois é cara, isso aqui é do futuro, muito melhor que o Atari!
Aí, digamos que eu com meus 7 aninhos, com a vida perfeitamente simple e tranqüila, me deparei com minha primeira inveja… (rsrsrsr) Bom, joguei até meus olhos arderem no fogo do inferno, meus dedos doíam, meu cérebro estava extasiado e cansado, 6 horas da noite, casa e diálogo com pai e mãe sobre o fato de suma importância. Chegando lá em casa, primeira coisa que vi foi meu pai entrando na garagem, fechei o portão e com o carro em movimento pulei pra dentro pelo vidro da frente do motorista, cai no colo do meu pai e disse: quero um Master System!!!
Eu falei: “Não, mas compra um pra mim?”
Ele: “Muleque, não é assim não!”
Ele: “Que diabo é isso?”
Eu: “Um videogame novo!”
Ele: “Quê? Ah, não!”
Eu: “Pai, você tem que comprar ele, é muito fera e tem até óculos 3D!”
Ele: “Óculos 3D em VG, deu pra mentir agora?”
Eu: “Não, é sério!”
Ele: “Pera aí seu menino!”
Me pegou, abriu a porta do carro, me pôs no chão e falou sonoro e retumbante: NÃO!!
Eu: “Não?!”
Ele: “Você sabe que só falo uma vez! E já disse, NÃO!”
Eu: “Por quê?”
Ele: “Estraga a TV os video games!!!!” (puts)
Eu: “Quê?!?!!”
Capítulo 4
Segundo requisito de um menino esperto é correr pra mãe na hora da segunda chance, mãe fazendo a janta, hora errada pra falar alguma coisa, principalmente com meu pai logo atrás, só me restou ele acabar e descansar, e eu a ajudar minha mãe a tirar a mesa e metralhar em cima da coroa:
“Mãe, quero um videogame novo, um Master system com pistola e óculos 3D!”
Ela: “Humm e aí, quanto é que é?”
Meu coração foi na boca e eu larguei: “Sei lá, temos que ir ver quanto é, né? rs
Ela: Vou conversar com seu pai, estamos no segundo semestre e tá longe seu aniversário, suas notas estão medianas, sei não…
Eu: “Quê isso mãe, compra!”
Ela: “Vou ver.”
Ela, vendo que eu estava maluco com aquilo, deu uma amolecida no velho lá, e disse: “Olha, seu pai disse que ele já tinha falado não, e não gostou de você me pedir depois!
Eu: “Que nada mãe, você sabe como é meu pai!”
Ela: “Tá bom, amanhã a gente sai e eu compro, depois me viro com seu pai…”
Eu: “Capricha lá no coroa, heim?”
Ela: Menino!!!!! Me respeite!
Eu: “Desculpa… Rsrsrsr.”
Capítulo 5
Chegou o dia tão esperado, as passarinhos mal cantavam e eu lá já arrumado e até perfumado, cedo que só, já de pé, a minha mãe acorda e ri de mim, todo bonito e já pronto, tomamos o café, meu pai pergunta para onde nos iríamos, fiquei meio com medo, mas ai ela fala: “Fazer o supermercado meu bem, e ver quanto custa esse tal Master System! Fiquei feliz até da forma de como ela falou tão bonito o nome do bicho lá.
Fomos de DelReyzão Guia azul pro supermercado primeiro… (rs) Depois de eu ter quase morrido de agonia e tédio, o relógio tava quase parado de tanto que eu olhava ele, acabamos o supermercado e lá fomos em direção à loja, era em um lugar desconhecido por mim, mas estranhamente ela já sabia o endereço de onde vendia e até hoje quero saber disso (acho eu, em propaganda de rádio).
Bom, chegamos lá, era uma loja até pequena, de fachada amarela, de vidros escuros, mas muito bem completa por dentro, havia de tudo nela, Atari, Odissey, NES, Dynavision, Master System, Genius, Famicom, Top Game, Phantom System e até um Turbo Grafix 16 Duo (!), um pancada de jogos para todos eles, acessórios pra todo lado, eu nunca tinha visto tanta coisa junta, mais feliz que tarado em P*teiro, mas meus olhos só viam o danado do Master System. Bom, acontece que ele custava se não me engano, na época, Cr$ 180,00 só o console, a pistola custava Cr$ 60,00, óculos Cr$ 90,00 e os jogos em torno de Cr$ 40,00… Coisas bem caras para aquela época, mas minha mãe, um exelente exemplo de dona de casa, bem viva, tava negociando os preços, dai que surge uma pergunta crucial: “E esses outros VG?”
O vendedor falou: São muito bons também! Temos este, este e este aqui…
Ela começou a ficar com dúvidas e falou: Qual que o Sr. me recomenda?
Vendedor: Olha todos esses são bons, gosto muito deste aqui, pois ele além de ter um ótimo preço, é bem moderno e similar aquele ali (NES original)!
Ela perguntou: “Então, todos esses os jogos podem ser jogados entre si, mas os do Master só podem ser jogados no próprio, e é o mais caro de todos. Então, meu filho, quê você acha?
Bom, eu já tava mais perdido que cego em tiroteio e sem saber o que falar, larguei: Ah, mãe, gostei do Master!
Ela: “Meu filho, ele é caro, e você ainda quer a pistola, óculos e fora algum jogo!!! Seu pai vai me matar!”
Aí eu pensei: “Poxa, vou levar um que não seja caro, então…”
Ela pergunta: “Então?”
Eu: “Moço, qual você me indica fora o Master?”
Vendedor: “Eu tenho o Bit System, gosto muito dele, tem até controle sem-fio, os cartuchos ficam dentro, sem muito problema de esbarrar e dá menos mal contato, os controles são bons, pois a fábrica faz calculadoras e tudo mais, e ele custa Cr$ 120,00!”
Eu: “Tá bom, é ele mesmo que quero, e já vem com jogos?”
Vendedor: “Vem com um jogo de helicóptero muito bem feito (Tiger-Heli), mas o campeão de vendas é o Super Mario Bros.!”
Eu: “Quanto custa?”
Vendedor: “Cr$ 25,00!”
Eu: “Tá bom, levo! E outro?”
Vendedor: “Tenho de um robô azul que é muito legal (Mega Man 2), vende bem também e vai ficando difícil mesmo, bom pra quem é jogador!” (refrão de vendedor) rs
Eu: “Tá legal, levo esses dois. O preço dele?”
Vendedor: “Levando isso tudo, te dou de brinde o Mega Man 2!”
Eu: “Oba!!!!!” (hahaha)
FEITO!!!!
Minha mãe pagou no cheque, em 4 vezes, e fomos pra casa, logo lá, estava vetada na minha vida a minha primeira paixão, a família NES…
Até hoje sou muito grato, pois os Deuses iluminaram minha mãe e o vendedor naquela hora, e entrar com o pé direito no mundo do NES!!!! Rsrsrsrsrsr.
Capítulo 6
Chegando em casa, estava tão feliz que tava me tremendo todo, as mãos suavam, soluço começou, fiquei nervoso, acabei dando um grito lá dentro de casa, da mais pura felicidade que poderia existir em uma criança! Mas minha mãe chegou e falou: “Olhe, este presente já é de seu aniversário e Natal de mim e de seu pai, pois ele custou bem caro e teremos que pagar ele 4 meses a fio, seu pai disse que cortará sua mesada pela metade (de Cr$ 10,00 para Cr$ 5,00), e você terá que tirar muitas notas boas, e só ficará jogando 2 horas por dia, heim!
Eu: Claro que sim, prometo isso tudo! LÓGICO!!!
Ela me deu um beijo, mandou eu abrir o presente e ligá-lo, que ela também queria ver ele funcionando. Bom, com aquele saco plástico grande cheio de coisas, peguei cada um com o maior cuidado do mundo, organizei tudo e comecei a abrir o principal: peguei a caixa do Bit System, olhei bem profundamente ela, procurei uma ponta da plástico que a lacrava, para cortar com uma tesoura sem ponta, para nem arranhar a caixa dele, quando tirei tudo, meu olhos brilhavam e meu coração disparou de novo.
O peguei com muito cuidado, virei e olhei em todos os lados, tudo lacrado e em perfeita ordem, abri o saquinhos do manual e garantia e começei a ler com muita atenção, para saber bem o que estava fazendo, quase que aquilo foi como uma orquestra sinfônica, a montagem do Bit System: caixinha atrás bem fixada, canal 3, todos os fios plugados, fonte verificada e ligada, peguei os 3 jogos, fechei os olhos e escolhi um deles, abri com o mesmo cuidado, abri a tampa do console e inseri o Super Mario Bros., baixei a bandeja e POWER no danado! Aquela luzinha vermelha indicava que um novo mundo está aberto perante a mim, mas… Cadê a imagem? Fuça aqui e ali, nada, só chuvisco na TV, eu fiquei louco com aquele chiado de TV fora do ar, dai lembrei de sintonizar a peste da TV… Quase morri por causa disso! Rsrs.
Capítulo 7
Eu, puto da vida com a TV, me aparece outro problema torturante e eterno! A chavinha que sintonizava a TV estava PERDIDA, pois ela ficava presa em um encaixe na tampa de sintonização, e nada de achar o raio da chavinha, abri tudo que tinha diteito de gaveta e tudo mais, olhei debaixo dos móveis, mesa, sofá e NADA!!!!! Aí eu pensei: “Isso sempre acontece comigo, mas que DROGA!” Lá veio minha mãe, que escutou eu reclamando da vida, falou: “Meu filho, esqueci de te dizer, a chavinha, a xuxa (cachora fi da p*ta que tinha lá em casa) comeu ela, e seu pai até hoje nao comprou outra! Eu olhei pra ela com aquela cara de desânimo geral, e falei: “Como vou jogar meu VG novo, mãe? Ela: “Vou ligar para seu pai lá no banco e pedir pra ele comprar uma na volta do trabalho!” Eu: “NÃOOOOOOOOO, ISSO NÃO TÁ ACONTECENDO!!!!!”. Mãe, são 11 da manhã, meu pai chega pra lá das 6:00 horas da tarde!!!!
Ela: Que eu posso fazer? …
Eu: [irado]
Ela entrou na cozinha, e foi arrumar o almoço, quando eu pensei: “Que eu vou fazer até lá, quero jogar meu Bit System o mais rápido possível!!”
Ai ela falou: “Sossega aí que o almoço estará na mesa já já!”
E eu com aquele ar do tipo, o maior azarento do mundo, caí no sofá e fiquei bem puto com aquilo tudo, e só restou esperar o almoço!
Comi tão rapido que nem lembro que era até hoje, e começei a pensar no que fazer pra resolver aquele problema maldito e muito sacana… Pensei, pensei, pensei e eu só azarando o VG perfeitamente montado, sem um fiozinho que não fosse do controle aparecendo, e a luz vermelha lá, me dizendo algo assim: “Vai ter azar lá na P*ta que pariu…”
Mas, o terceiro dilema de um bom menino é a criatividade!
Ahhh, eu corri lá no quarto da bagunça, um quarto cheio de ferramentas e coisas de casa, no fundo ao lado da garagem, peguei um pedaço de pau bem resistente, o conjunto de limas finas e o esmeril fixo, comecei a “produzir” uma chavinha para o raio da TV, corri lá na TV, arrastei ela um pouco, olhei bem o encaixe, a maldita “de olho” e percebi que era um buraco em forma de quadrado, corri la e começei a fazer a tal chave, fiz uma maior em diâmetro pra não estragar a TV e ir moldando até o ideal, varias idas e vindas e depois de um tempo e muita bagunça, Voi-Là - a chave da minha felicidade, e feita por mim hehehe!!!! Era um pouco delicada, mas resistente o suficiente para eu sintonizar a TV bem devagar e cuidadosamente, pra ficar a imagem perfeita, como eu gostava!
Chegando lá na TV, liguei ela e coloquei a chavinha, girei toda pra um lado, e comecei a sintonizar o meu novo mundo…
Capítulo 8
Bom, eu com o maior cuidado, girando a chave, me deparo com a eterna e mundialmente conhecida música do Super Mario, fiquei louco com a imagem, os gráficos, as cores, o som, e o indicativo:
1 Player Game
2 Player Game
Arrastei o sofá ate uns 2 metros da TV e peguei o controle, fixei o olhar, os olhos brilhavam, a mente e todas as minhas raivas se foram, só eu e meu novo Bit System, frente a frente, sozinhos e conectados entre si, neste novo e único mundo, o do NES.
Obviamente, eu não tinha absolutamente nenhum “tato” com o controle nem com nada daquilo, nunca tinha visto nem jogado nenhum NES e derivados, nada, somente os outros sistemas já ditos, achei muito difícil inicialmente o Super Mario, pois não sabia de nada vezes nada dele, joguei e joguei muito, até que lembrei de pegar o manual (sic) e ler pra ver se facilitava e o que tinha que fazer no jogo, daí que as coisas começaram a surtir efeito do NES, e na cabeça da gente… Comecei a, digamos, desde aquela época, a ter raciocínio multi-direcional, comecei a entender a funcionaliadade e alma dos jogos, a ficar mais inteligente e astuto nas decisões e raciocínio geral. Daí, eu estava com um pouco de sede, nem sabia que exitia Pause pelo Start, toda vez tinha que correr pra fazer algo e não acabar o tempo do jogo… Rsrsr.
Dei um tempo e fui à mesa, fechei os olhos novamente, e fiz de tudo pra não ver em que lado estavam os outros 2 jogos, escolhi o Tiger-Heli!
Desliguei o VG, retirei o Mario, vi bem como funcinava aquele mecanismo do Bit System (igual o NES) retirei o S. Mario e coloquei o Tiger… Nossa que era aquilo, a música frenética, jogo bem difícil, tiro dos inimigos em direção exata, cores, velocidade média e 3 vidas? Como era possível chegar ao final da fase só com aquilo? Não é possivel! Se o Mario eu morria sempre na 1ª fase, este aqui então eu nunca vou chegar mesmo, mas aí chegou algo estonteante para mim: “Que será que existe no final das fases?”
Esta barreira simbólica entres esses 2 mundos, foi algo de muito impacto para mim, e talvez até hoje para a humanidade: “O que tem depois dali?”
Capítulo 9
Bom, estava eu em um dilema quase mortal e inquietante, de suma importância para a humanidade, pensei:
“O que há no fim da fase?”
“Será que tem fim o Tiger-Heli?”
“O exército inimigo tem que acabar, pois não existe exército infinito!”
“Ou tem???”
“Diacho, não é possivel…”
Peguei o telefone e liguei pra loja do cara que me vendeu.
“Moço, sou eu, o Toninho, que comprou o Bit Bystem!”
Moço: “Diga ai rapá! Qual é?”
Eu: “Cara, que jogos dificíeis esses, heim? To me lascando sempre! E fora que descobri algo que acho que ninguém sabe, temos que chamar a TV!!!”
Moço : (com certeza bem curioso) “Quê foi?”
Eu: “Acho que os jogos tem FIM!!!!!”
Moço: “KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK”
Eu: “Quê foi que você tá rindo???”
Moço: “Só agora que você descobriu isso? Ou o quê?? KKKKKKKKKKK”
Eu, puto da vida com o feudespato* do vendedor, ainda falei ao telefone jogando todo a pesta da pior estipe em cima dele: “Tomara que você nunca chegue ao final de nenhum jogo!!!!!!!”
Moço: “kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kk”
Eu: “Poxa, para de rir!!”
Moço: “kkkkk , pera aí, hummm, muleque, todos os jogos do Bit System praticamente tem fim!!!!!!”
BBBBBUUUUUMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!
Explodiu uma coisa impressionante em minha vida: Os jogos tem FIM!!!!
Daí que foi uma coisa que me deixou realmente frustado e louco da vida, que eu não admitiria nunca isso, mais engoli a seco:
Como eu era ruim em video game!!!!
Então, minha mente ferveu feito carro velho sem água, só falei ao telefone com o vendedor: “Poxa, tá bom, tchau!”
Daí que caiu a ficha… ME VIREI PARA A TV E OLHEI COMO O RAMBO OLHAVA PRA OS ADVERSÁRIOS!!!! Me preparei friamente e sentei sobre o sofá, e laguei para todos mundo escutar: “EU SEREI O MELHOR DE TODOS! CONHECEREI PRIMEIRO O FINAL QUE TODO MUNDO! NINGUÉM ME DETERÁ!!!!! HAHAHAHAHAHA…”
…Sai a minha mãe da cozinha e diz: “Quê diabo é isso, menino?”
Eu já tava em pé em cima do sofá de peito inflado, fazendo a pose do Jaspion com direito a estar olhando para o céu e horizonte! Tomei um susto danado com ela, caí do sofá de cabeça no chão, e lá se foi eu e ela correndo pra o hospital pra dar 5 pontos no côco…
Quando já estava tudo certo, ela se desculpando muito ainda, falei: “Não liga mãe, sabes que me machuco todos os dias de skate e bicicross, até do iô-iô já abri a sobrancelha, isso aí é fichinha!” Ela: “Nada disso, vamos lá na loja comprar outros 2 jogos novos de presente por mim, e pra você ficar de repouso por dois dias!!!” Eu: “!!!!!!!!!!”
HHAHAHAHAHAHAAH
TÔ FEITO!
Capítulo 10
Chegando novamente à loja, já com um belo galo e 5 pontos na cabeça, uma dor no pescoço feroz, me deparo com uma coisa que todo mundo aqui sabe muito bem: a quantidade e variedade dos jogos no NES! Galera, quando eu perguntei novamente pro (sem vergonha) do vendedor que jogo tinha lá de bom, o cara me leva para uma prateleira que eu não tinha prestado muita a atenção, pois as caixas estavam colocadas na vertical e de lado, com o titulo virado pra gente; quando eu olhei falei para mim mesmo: “Putz, quê isso! Quanto jogo!!!” Aquilo foi um ato até de covardia do vendedor, fazer isso com uma criança de 9~10 anos, e o pior, ele falou: “Escolhe ai!” … … … ooooh
Euzinho, sem saber de nada ainda do meu novo VG, fiquei mais ainda sem saber o que escolher, pois sabia que teria que escolher 2, e muito bem escolhido, pois provavelmente nem tão cedo iria comprar outro(s), daí que perguntei pro ’sacana’ lá: “Qual é o melhor?”
Sacana: “Olha, tem esse aqui, esse aqui e esse aqui, são os que mais vendem!” (Double Dragon 2, Zelda e Contra)
Eu, olhando bem e lendo tudo nas caixas, decidi que iria levar o DD2 e Contra.
Sacana: “Vai levar os dois então?”
Eu: “Sim”
Sacana: “Sabia que você iria levar eles!”
Eu: “Por quê?”
Sacana: “Vocês meninos gostam mais de luta, explosão, armas…”
Minha mãe: “Armas!!!!!!!”
Minha mãe: “Nada de armas, sabes que nós não gostamos de brinquedos de armas ou qualquer coisa parecida, Toninho!!!”
Eu: “Mãe, é o boneco que tem armas, não eu!”
Minha mãe: “Rapazinho…”
Eu: “Tá bom, levo o Zelda então…”
Sacana: “Fique tranqüila, mãe, sou pai também, vamos fazer uma coisa: ele leva os 3 darei 30% de desconto em tudo, e se não gostar do jogo, senhora, pode vir aqui e devolver mesmo usado que troco por outro!
Minha mãe e eu: “Feito!!!”
Pagamento concluído, chegando em casa, meu pai já estava antes do previsto pra saber como eu tava e tudo mais, minha irmã (que Deus a tenha) também ao lado dele, me olham e passam a mão e dizem em sinfonia: “Ele tá bem, como sempre! Rsrsrsr.
Chegando lá dentro de casa, quando olho pra TV, nada de meu Bit System lá junto, pergunto: “Ué, cadê meu VG novo?”
Meu pai: “Tá no seu quarto, vai lá!”
Eu : “??? (como vou jogar?)” ooooh
Quando eu chego lá, vejo uma TV novinha em folha de 14″, preta da Sanio, com controle remoto e entrada de video e audio RCA.
Eu: “AAaaaaeeeeeeeeeeeeeeee que legal!!!! Minha TV, e só minha!!!!”
Meu pai: “Comprei ela na Mesbla pois fui contemplado do pessoal lá do banco! E agora posso chegar e ver minha TV sem você lá!”
Daí…
Eu parti pra cima dele, pulei e abraçei bem forte, pois apesar de ele ser severo e muito correto, sabia o que era o melhor para todos, sempre!
Corri lá na TV e a liguei, li o manual, percebi as entradas, peguei os cabos RCA do video-cassete emprestado (rsrs), instalei tudo e quando ligo o VG, fiquei extasiado, com os olhos arregalados da diferença da imagem e som da minha TV pra da sala que era bem velha, da Philco-Ford.
Primeira coisa que vejo é o Contra, com aquela música chamativa e curta da tela de entrada, de repente o demo entra rápido e percebo que é um jogo de cores vibrantes, só o som dos tiro pra todos os lados, pulos, água, robôs e homens, e um personagem que tava muito em evidência naquela época, o Rambo (sic… rs) o qual eu adorava… Uma fórmula perfeita pra mim, daí meu dedo e meu cérebro não se conteve, eeeeeeeeee, Start no jogo! Puts, que maravilha aquela música, a velocidade do jogo… PERFEITO O CONTRA!! (muito obrigado, imaculada Konami!!!! hehehehehehhee)
Capítulo 11
Contra foi um jogo que foi minha prova de fogo, eu só então era bom mesmo no Atari, mas no Nes eu era muito ruim mesmo, obviamente por estar começando a jogar naquela época (lógico), mas pra minha cabeça, já tinha que nascer sabendo jogar qualquer coisa que existisse, mesmo assim tava eu lá me “matando” com o Contra, morrendo que só a zorra, parei tudo pois pra mim era muito difícil, e fui pegar o Double Dragon 2. Abri aquela caixa linda, com o cara fortão e um moça gostasa pra daná aos braços dele, peguei o manuel* do jogo e percebi que era mais complicado que o Contra… Com vários golpes e seqüências, resolvi ir na raça mesmo, liguei o Bit System e pimba! Que jogo maravilho de bem feito, cheio de detalhes, música de filme bom, e um carinha bem irritado da vida e a todo seu controle, e isso era muito bom, pois era só descer a porrada nos carinhas, e cada vez que fui jogando ia adorando, pois era um jogo sem igual, sem lerdeza alguma, bem convidativo mesmo, até meu pai vira e mexe tava lá olhando e “lutando” junto com o personagem! Rsrsrrs.l
Foi daí que percebi que eu estava cada vez melhor nos jogos, até que a barreira foi quebrada: PASSEI DE FASE! O grandão que sumia me deu calafrios na hora, mas mesmo assim desci o pau nele, e escutei aquela música frenética anunciando que tinha passado de fase, e vendo que só sobrou o capacete no chão… Hhhhhhuuuuuuhuhhuuuuu !!!!! Filminho fera e bem trabalhado me espanta com a perfeição dos gráficos, e começa a segunda fase, onde eu mal dava “avuadora”, não sabia nem pular direito, morri tudo ali na hora, fiquei espantado e muitissssiiimo feliz!!!!! Pois como meu professor de carate dizia: “A pratica leva à perfeição, e os calos das mãos são seus aliados pra vida…” (profundo isso tudo) Rsrsrs.
Comecei a ver que tudo neste VG era diferente, e muito melhor que muita coisa que eu conhecia, pois há nele uma coisa inexplicável que nos prende e nos faz ser inseridos automaticamente neste mundo único e altamente divertido, que o Nes tem até hoje, mesmo depois de um bom tempo ser vê-lo, e durante 26 anos, ainda me chama a atenção e me convida a visitá-lo, pois não conheço coisa igual até hoje e dificilmente terá algo melhor.
Mas como tudo aquilo já estava começando a me deixar de cabeça virada, o Zelda é que me deixou mais doidinho ainda, pois quando eu comprei ele, era a versão dourada, de ótimo acabamento, e me deixando bem encucado do porquê desta diferença toda com os outros cartuchos do Nes. Bom peguei o manuel* dele, e comecei a ler e percebi que era tudo em inglês* (sua resposta, caro Monge Cravos ). E foi péssimo isso pra mim, por que até então percebi que a língua dos jogos realmente eram ingleisados*, e eu não sabia de nada menos um pouco…
Peguei o dicionário inglês/português e vamos lá! Zelda é um jogo bem trabalhado mesmo, pois aquela música me deixou encantado na tela de apresentação, me convidando a começar logo o jogo: No início eu não intendia nada… (era a parte do save) mas saí de lá, e, com muita dificuldade abre uma tela diferente e o ângulo de visão por cima, onde os gráficos não eram tão bons quando dos outros já citados, mas algo nele que me deixou muito intrigado: era um jogo de aventura!
Nunca tinha jogado este tipo, e de cara uma caverna em cima, adentrado (mas com um medo danado) um velho fala um monte de coisa (pego o dicionário) e me dá uma espada, me senti ótimo, pois sabia que a responsabilidade do Link era toda minha também agora. O mundo Zelda é que me fez ver que o Nes era um VG único mesmo, tinha até um mundo de fato, entupido de coisa pra desvencilhar e progredir, de vir com cuidado e sempre colocando a cabeça pra funcionar sempre na defensiva. Aí que tudo isso me fez ver como é muito bom a época desde o início do Nes, e me fazer ver que o mundo Nes era fantástico e ennoorrrmmmeeee de bom, que até hoje eu não conheço nem 1/3 ainda…
Capítulo 12
Finalizando a minha história dos VG e especialmente com o Nes, engraçado que percebi que por sorte, coincidência ou sei lá o que, cada jogo que tive no início me testava e me fazia exercitar algo ou alguma destreza para ser muuiiitooooo utilizada em outros jogos, a impressão que tive é que o Nes me treinava em cada requisito que lhe pertencia ou exigia.
Porteriormente, conhecia cada vez mais coleguinhas que tinham vários outros jogos, e interessantemente eu era sempre um dos melhores ao longo do tempo, conhecendo muuuiiiitttoooooo jogos e cada um jogo que tive contato quase até ou até o final, acabando com a ideia que eu era ruim… rs.
Acabei me mudando e voltando pra Brasília, minha terra natal. Lá pelo meus 12 anos havia uma locadora chamada Game Over, onde me acabei, pois era uma baita locadora e sempre tinha quase tudo no Nes pra frente e suas novidades. Haviam muitos campeonatos aqui em BSB, e que eu sempre estava lá colado ou participando, cheguei a ganhar até prêmios, até que um dia, chegou um acessório que de certa forma acabou em parte com o bons jogadores, o Game Genie…
Bom, daí pra frente fui conhecendo outros sistemas, comprei muito outros jogos do Nes e outros consoles e PCs, como o MSX 1.0 e depois o 2.0, comprei um Geniecom com o falecimento total do Bit System (minha mãe jogou fora sem eu saber [furioso]), um Super Nintendo (continuação quase perfeita do NES!!!!), um 386DX 40 com co-processador (hehe) 16mb de RAM, Neo Geo cartucho, Mega Drive e Sega CD, e por aí vai… Mas sempre esteve presente na minha memoria o Nes que impressionantemente nunca saiu da minha cabeça e marcaram tanto quando meu 1º beijo, 1ª namorada séria (minha atual namorada de agora!!!!!! rsrsrsr), 1º carro, 1º formatura, 1º filho, 1ª separação (rs)…
É isso aí pessoal, pra mim há coisas e coisas na vida, mas o Nes e seus companheiros foram ótimos colegas na minha formação, e até acredito que me ajudou em algumas coisas por aí na minha andança pela terra, mas agora eu e ele estamos juntos de novo, e pra contar esta história a todos e as futuras gerações, de como um VG como o Nes, pode fazer parte importante na vida de uma pessoa, a da minha.
Pois é pessoal, o Toninho continua sendo aquele toninho dos seus 8 anos , mais somente quando o Nes está junto com ele, ou comigo hoje no meu coração.
É isso aí galera, desculpem o erros de português, a falta de formatação total do texto, mas tá aí minha história.
Até lá galera, e espero que tenham gostado.
Abração a todos vocês!!!!
The End…
(ate hoje não! rsrsrsr)
Postado originalmente por tonecv no Fórum Nes Archive, em 27/02/2007.
Revisado por João Luís em 24/03/2008.
Adicionado à Base de Dados em Segunda-feira, 24 de Março de 2008 por João Luis


