A hora e a vez do Brasil abocanhar o bolo. A Nintendo chegou oficialmente ao Brasil em 1993 através da Playtronic Industrial Ltda., uma joint-venture entre as empresas Gradiente e Estrela.
Por Renato Noviello
1993 - O lançamento oficial
A Nintendo chegou oficialmente ao Brasil em 1993 através da Playtronic Industrial Ltda., uma joint-venture entre as empresas Gradiente e Estrela. A Playtronic, foi inclusive a primeira empresa a montar produtos Nintendo fora do Japão. No seu ano de chegada, a empresa lançou, pouco antes do Natal, o NES e o SNES. Em 1994, chegava o Game Boy.

Eugênio Staub, Gradiente (à esquerda) e Mario Adler, Estrela, (à direita), anunciam a criação da Playtronic, que seria dirigida por Eduardo Lara (centro).
Cartaz da Playtronic alertanto a chegada da Nintendo no Brasil. Clique para ampliar. |
Uma propaganda da Playtronic para promover o NES. Cartaz do ano de 1995. Clique para ampliar. |
A revista Videogame, publicação nacional destinada ao mundo dos jogos eletrônicos, fez uma matéria sobre a chegada da Playtronic. A edição é a número 25, de abril/93. Para ler o artigo, clique: página 01 | página 02.
A Tec Toy, representante oficial da Sega no Brasil, fazia uma fortÃssima campanha de marketing em volta de seus consoles Master System e Mega Drive. A empresa chegou a lançar jogos traduzidos para português, além de muitos outros tÃtulos americanos serem adaptados para atender o público brasileiro (como é o caso de jogos em que estrelava a Turma da Mônica, por exemplo, em que um deles, era adaptação do Wonder Boy III: The Dragon’s Trap). Essa genial série de idéias da Tec Toy obrigava rapidamente a Playtronic a agir e a impactar sua aterrisagem no Brasil. Para promover a sua chegada, a Playtronic fez até uma reportagem com o Fantástico, programa semanal da Rede Globo, além de uma propaganda em massa em jornais, revistas e televisão.
A Playtronic
O NES brasileiro é igual ou tão bom quanto o NES americado? Aposte que sim. O seu adaptador A/C, por exemplo, é bem vantajoso em relação ao americano. Do casing da fonte, sai um fio com um plugue pequeno, facilitando assim sua aplicação na tomada. Outra vantagem quanto à fonte, é a possibilidade de trocá-la para 110/220 volts. E o console nacional, já vem no padrão brasileiro de cores, o PAL-M, dispensando a transcodificação do aparelho. O seu Nintendo contava também com uma grande rede de assistências técnicas autorizadas em todo o Brasil.

Parte traseira do cartucho de NES nacional
Curiosamente, o NES original da Playtronic não fez muito sucesso no Brasil e não obteve boas vendas. Isso aconteceu porque o lançamento oficial foi bem tardio. A febre do NES no Brasil iniciou em 1989 com a chegada do primeiro ‘clone’, e se estendeu até cerca de 1993 e 1994, exatamente quando os consoles de quarta geração (16-bit) já ferviam o paÃs.
A idéia de inserir oficialmente a Nintendo no Brasil partiu tanto da Gradiente/Estrela quanto da Nintendo. Por um lado, a Gradiente/Estrela poderia expandir seus negócios com a Playtronic. Pelo outro lado, a Nintendo estaria oficialmente representada no Brasil e poderia executar seus planos também no paÃs do Carnaval.
Num paÃs como esse, as vendas de consoles/cartuchos de video-game eram consideradas bem altas. No ano de 1991, o Brasil chegou a movimentar cerca de 100 milhões de dólares com a indústria do video-game. Visto que o mercado só tendia a crescer, a oficialização da Nintendo no Brasil não era, de forma alguma, uma má idéia.
De 1993 a 1996, a Playtronic colocou no mercado o NES, o portátil Game Boy, o SNES e o Virtual Boy. Em 1996, por algum motivo, a Estrela abandou a empresa, que passou a se chamar então Gradiente Entertainment Ltda. Até dezembro de 2000 as vendas combinadas totalizaram 2 milhões de hardwares e 2,5 milhões de softwares. Isto significa que o mercado de games no Brasil agitou R$200 milhões com a Nintendo, segundo dados da própria Gradiente.
Contudo, no inÃcio de 2003, a Gradiente deixou de fabricar e comercializar, por sua própria opção, a linha de video-games no paÃs, encerrando a parceria com a Nintendo no Brasil. Segundo a Gradiente, a decisão decorreu, entre outros fatores, da expressiva alta da taxa de câmbio do dólar desde 1998, da redução da renda média da população e do alto Ãndice de pirataria dos produtos desta linha, os quais contribuÃram para limitar o potencial de crescimento desta categoria e reduzir significativamente a rentabilidade deste negócio para a Gradiente nos últimos anos. É triste ver uma coisa dessas acontecer e a total decadência do mercado no Brasil. Lembremos que, desde a Playtronic, seriam mais de 10 anos de Nintendo no paÃs.
Comercial Playtronic
ExtraÃdo de uma fita VHS caseira, este comercial foi feito pela Playtronic em 1993 e exibido pela Rede Globo durante o intervalo comercial da Sessão da Tarde. O comercial mostra Mario com uma bandeira do Brasil e um narrador falando das vantagens de comprar um Nintendo Playtronic. Baixe já!
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Total exclusividade do NES Archive;
Gravado originalmente por Renato Noviello,
convertido em MPEG por Neilor de Oliveira.
Os Clones do NES
É importante lembar ainda que no Brasil surgiram ‘clones’ do NES aos montes. Esses clones eram consoles produzidos por empresas nacionais que eram compatÃveis com cartuchos do Famicom/NES. A Nintendo não deu nenhuma licença para as empresas lançarem consoles compatÃveis com o NES no paÃs. Ou seja, tudo era pirataria. Mas por algum motivo, a Nintendo/Playtronic não abriu qualquer processo contra os fabricantes. Entretanto, não há como negar que esses clones ajudaram a popularizar o NES, e muito, por aqui.
No Brasil, os clones do NES chegaram no padrão americano pelas empresas Dismac (Bit System), Milmar (Hi-Top Game), Gradiente (Phantom System) e CCE (Top Game VG 8000 e VG9000, que por sua vez suportava ambos os padrões). Já o padrão japonês foi representado pela Dynacom, com o Dynavision II, que inclusive foi o primeiro video-game de terceira geração a chegar em território nacional, em maio de 1989. Outros consoles compatÃveis com o NES foram o Super Charger, Dynavision III e o HandyVision, também da Dynacom, que era portátil. Alguns dos fabricantes chegavam a lançar também cartuchos para os consoles.

O Phantom System, da Gradiente, o clone do NES mais popular do Brasil. Este é apenas um de muitos clones lançados
Curiosidades
Uma curiosidade interessante: Ao que tudo indica, a Gradiente se preparou para lançar o Atari 7800 no Brasil, tendo desistido na última hora por conta da descontinuação do console nos EUA. Você pode notar que o gabinete do Phantom System, tem o mesmo formato do Atari 7800. Coincidência? Vale lembrar ainda que o Phantom System copiou o design dos joysticks do Mega Drive…

Este, o Atari 7800.
Artigo originalmente publicado no NES Archive no ano 2000 e revisado pela última vez em 14/03/2007.
Autor: Renato Noviello.
Colaborou: Pablo Rozados e Marcelo Barbosa.
Adicionado à Base de Dados em Quinta-feira, 20 de Março de 2008 por João Luis


