Apesar de muito criticado por não ter nada a ver com o clássico arcade de luta, Street Fighter 2010 apresenta gráficos, som, trama e dificuldade na medida certa, se você souber aproveitar o que o game tem de bom…
Por Harlley “Persona” Guimarães
Ficha Técnica
Título: Street Fighter 2010 - The Final Fight
Produtora: Capcom
Fabricante: Capcom
Ano: 1990
Console: NES
Categoria: Ação/Plataforma
Número de jogadores: 1
Autor do review: Harlley “Persona” Guimarães
Nota do Autor
Impossível não falar deste jogo e não mencionar as palavras “picaretagem” e “equívoco”. Picaretagem porque o jogo foi oportunisticamente associado à um outro que começava a quebrar recordes de vendas e aceitação nos arcades, chamado Street Fighter 2. Tendo sido lançado meses depois do famoso arcade, SF2010 foi uma tentativa da Capcom de pegar uma rebarba da repercussão de Street 2 para o NES, sendo que a empresa nunca lançou uma versão fiel de seu mais famoso título para o console. Não satisfeita, a Capcom ainda tascou um “The Final Fight” no título, fazendo alusão a outro arcade seu de enorme sucesso: Final Fight. E equívoco porque se a Capcom tivesse chamado o jogo de “Captain Commando”, ele teria sido um clássico para o console de 8 bits. Mas claro que o mundo não é perfeito…
Durante anos, tive uma relação de amor e ódio com esse jogo. Quando o vi na revista Videogame nº 2, eu ainda não conhecia SF2, logo, apenas achei um jogo de plataforma interessante. Depois de conhecer/viciar em Street 2, eu passei a repudiar o jogo de NES com todas as minhas forças. Simplesmente não conseguia ver algo de bom num jogo “nada a ver” como aquele. E eu não entendia, no alto dos meus 13 anos, qual seria a mensagem que a Capcom tentou passar com esse jogo. Infelizmente, minha inocência não conhecia a palavra “picaretagem” em seu full potential.
Várias vezes me deparei com o jogo, tanto original quanto pirata, mas não tinha coragem de comprar, dado o trauma. Porém, o romper do ano 2010 AD soou como um desafio pra mim, e acabei me vendo obrigado a detonar este jogo. Fui a um camelô aqui em BH, e comprei um “amarelinho” de Polystation por 10 Real, porque jogar no console faz parte do processo. (apenas as fotos eu peguei no emulador, porque se fosse realmente “emular” as condições da época, eu teria que usar uma máquina fotográfica Love :P)
A História
A trama é curiosa, para dizer o mínimo. Ao pressionar START rola uma historinha, para colocar o jogador a par dos acontecimentos: Você é um ex-street fighter que se tornou cientista (!), e precisa recuperar uma arma secreta chamada Cyboplasm, roubada de seu laboratório. Em pequenas doses, pode curar doenças e garantir a vida eterna. Em doses maiores, transformam as pessoas em monstros assassinos. De quebra, os bandidos (seja lá quem forem) mataram Troy, seu melhor amigo, que deve ser vingado a qualquer preço. O nome do cientista?
Aqui rola outra picaretagem: como o jogo foi lançado antes no Japão (antes de SF2 estourar), o personagem tem o nome de Kevin. Já na versão americana, o cientista foi renomeado para Ken, numa alusão ao Ken de SF2, que já estava bombando, à essa altura. Só que lutador já não é mais tão confiante eu seu punho flamejante quanto nos tempos de lutador: ele faz implantes biônicos em seu corpo, que lhe garantirão um poder de ataque ainda mais devastador. Shoryuken pra quê??
O Jogo
Na verdade, a chegada do ano 2010 me fez olhar pra esse jogo com outros olhos. Vencido o preconceito dos meus tempos de criança, vamos a ele: trata-se de um ótimo jogo de plataforma, com inimigos variados e criativos, cenários bacanas e música empolgante. Por ser uma aventura espacial, Ken deve viajar de planeta em planeta, até encontrar os causadores de seus problemas. Após vencer o desafio em quatro planetas, Ken chega à uma estação espacial para seu “final fight”.

A jornada começa em uma colônia humana perdida no espaço. Mas repare na Estátua da Liberdade, ao fundo. Seria uma réplica?
Os ambientes refletem um clima apocalíptico, e incluem cidades futurísticas (no distante ano de 2010, hehe!), ambientes florestais, rochosos, aquáticos e tecnológicos. Bem diferentes das cores brilhantes da série Megaman e dos títulos Disney da Capcom, mas não menos bonitos e intrigantes. Algumas fases são bem atípicas e criativas, como no chefe do planeta aquático: Você luta com ele num nível, mas se a serpente que sai do chão te pegar, ela te leva para um sub-level, abaixo do ringue, onde Ken tem que se defender de medusas e homens-rã para poder voltar ao chefão, subindo através do buraco deixado pelo bicho. Bem pensado!
As viagens se dão atráves de portais que Ken deve abrir para poder seguir ao próximo estágio. A abertura do portal pode depender de fatores diferentes: ou vc derrota um boss/sub-boss, ou mata um determinado número de inimigos. A ordem dos estágios em cada planeta é bem irregular: cenas clássicas de side scrolling, cenas intermediárias entre portais, confrontos mano a mano com inimigos, etc. Na verdade, se observar bem, o jogo é praticamente todo composto de lutas com chefes, sendo o side-scrolling quase inexistente. Outro fator interessante é que o jogo não aumenta necessariamente de dificuldade conforme as fases, pois alterna estágios muito fáceis e muito difíceis desde o início até o final.
Existe um medidor na parte de baixo da tela, indicando quantos inimigos você deve matar, para abrir o portal e ir adiante. Em caso de boss, basta matá-lo, para que o portal se abra automaticamente. O painel indica, além do medidor de portal, uma barra de life, o planeta onde você está, uma barra de tiro e o número de vidas. O tiro pode ser aumentado mediante recolhimento de power-ups, que são deixados durante o jogo por inimigos vencidos ou blocos espalhados pela fase. Em certos momentos, um tiro maior pode ser crucial para a vitória. Também existem power ups que preenchem seu life perdido, outros que dão permitem adicionais e um orb, que protege a retaguarda do herói. Os chefes não tem medidor de força, o que pode dificultar um pouco as coisas. Falando nos chefes, eles são bem difíceis. O primeiro (uma espécie de escorpião alado) é pedreira já no início do jogo…

Planeta 3, que reflete um clima desértico. Cuidado: para agarrar numa parede, é necessário aperter o botão de pulo assim que encostar nela.
Não há placar, e o jogo conta com continues infinitos. O tempo é curto, e pode realmente ficar crítico em certas situações. Quando o portal se abre, você tem 10 segundos para encontrá-lo na fase e pular nele. Felizmente, a localização dos portais é estática, bastando decorar a posição deles em cada fase.
Som
O som de SF2010 é correto. Nada muito extraordinário, mas também não faz feio. Segue o padrão Capcom de qualidade. Os efeitos também não contam com nada fenomenal.
Jogabilidade
SF2010 apresenta um sistema de controles que, apesar de simples e preciso, deve ser domado. Os recursos básicos de Ken são o pulo e o tiro mas, se combinado com certos movimentos de direcional, o tiro pode mudar de trajetória, o que aparece no jogo em forma de “golpes” diferentes. Interessante, mas pouco prático. Às vezes é difícil acertar um inimigo simples, conforme sua trajetória. Nada que umas horas de treino não consigam resolver. Ken também pode escalar paredes e pendurar-se em plataformas.
Outra coisa interessante sobre o jogo é que ele não te dá descanso. Você não pode simplesmente parar e tomar um ar, porque ou você é atacado por inimigos, ou a tela anda e te empurra, ou o tempo acaba. Se quiser dar uma descansada, tem que pausar o jogo mesmo. Coordenação também é essencial em SF2010: em todas as cenas, é normal você ter que lidar com vários tipos de inimigos ao mesmo tempo, te atacando de maneiras diferentes. Ou seja, você acerta um enquanto desvia do outro, e isso vale para os chefes também. Ação non-stop.
Conclusão
Street Fighter 2010 não é a Capcom em seu melhor. Estratégias porcas de marketing, experimentalismo, dificuldade, controles confusos… não é aquele jogo que você quer zerar toda hora, mas ele oferece gráficos bonitos, trama interessante e um bom desafio, no melhor estilo 8 bits. E vale notar também que ele é inovador em vários aspectos, ainda que algumas das inovações não tenham sido lá tão felizes. Se você está atrás de um desafio que remete aos bons tempos em que zerar um game era tarefa para uma tarde, Street Fighter 2010 pode ser uma boa pedida.
Mas, trate de zerar esse jogo até o fim do ano, porque em 2011 já não vai fazer lá muito sentido.
Adicionado à Base de Dados em Sábado, 6 dAmerica/Los_Angeles Março dAmerica/Los_Angeles 2010 por Persona












